sábado, setembro 20, 2008

CONTO ISSO AO MEU FILHO

Vejo o vento balançar as árvores, para lá e para ca.
Às árvores de perto ele balança agitado, sacode os galhos,
Faz as folhas farfalharem
Às árvores de longe ele balança suave, em conjunto
Empurrando os volumes de sombras para lá e para cá.

Mostro para o meu filho esta dança do vento e lhe digo:
É o milagre da vida!
E lhe conto essa história: Os ventos quando se chocam nas nuvens,
descem em direção à terra,
descem furiosos
E derrubam, com força descomunal, tudo que encontram:
Arancam árvores, destelham casas, tombam carros, lançam raios
Rugem como um dragão, dobram quem os enfrentar.
Quem os viu nao sabe o que viu
Não sabe o que aconteceu
Quem por eles passou fica em suspenso e os espera passar

Vê apenas o que eles deixaram
O rastro do que derrubaram
As sobras do que não levaram
No entanto são os mesmos ventos que balançam essas árvores,
Que refresca a nossa casa,
Que sopram o nosso corpo
E nos deixa respirar. Humm, é tão bom respirar...
É tão bom ver o balanço dessas folhas, dessas ávores, desses galhos
e participar do milagre da vida..
Conto isso para o meu filho;
Não sei se ele acredita.
Leva-se muitos anos para a gente aprender a admirar isso.

Ficamos sentados na grama,
O vento sopra, balança as árvores para lá e para ca.
Às árvores de perto ele balança agitado, sacode os galhos,
Faz as folhas farfalharem
Às árvores de longe em balança suave, em conjunto.
Empurrando os volumes de sombras para lá e para cá.
Um beijo
do pai fer

segunda-feira, setembro 15, 2008

Ding ding

ding ding,
assim fazia minha bicicleta no calçamento,
buzinava, meio que sozinha,
mas estava eu lá, em cima, gostando de pedalar,
as vezes cansado, irritado com o transito,
mas normalmente sentindo que vale a pena,
ter um caminho, ser empurrado pelo vento e pedalar.

Hoje, especialmente, senti o que é não querer muita coisa.
a tarde estava bonita para voltar para casa
a solitude estava bonita para viver
o silencio bonito para ficar calado e não ter muito a ouvir
e a noite não poderia ser outra coisa senão a noite,
e as luzes não podia ser outra coisas senão luzes
e o vento soprando não poderia ser outra coisa senão sopro

Ding ding fazia minha bicicleta
e o milagre da vida estava ali
o calçamento esburacado,
a lisura das passagens suaves
a sensação boa deixada pelo filme “conversas com meu jardineiro” no cine Metrópolis
a pintura como a pesca de um peixe,
um processo de vida.
ninguém estava vivendo mais do que eu essa noite
nem eu mais do que ninguém
simplesmente a fruição desses lugares
e o abandono do que não preciso.

Ding ding.