segunda-feira, setembro 15, 2008

Ding ding

ding ding,
assim fazia minha bicicleta no calçamento,
buzinava, meio que sozinha,
mas estava eu lá, em cima, gostando de pedalar,
as vezes cansado, irritado com o transito,
mas normalmente sentindo que vale a pena,
ter um caminho, ser empurrado pelo vento e pedalar.

Hoje, especialmente, senti o que é não querer muita coisa.
a tarde estava bonita para voltar para casa
a solitude estava bonita para viver
o silencio bonito para ficar calado e não ter muito a ouvir
e a noite não poderia ser outra coisa senão a noite,
e as luzes não podia ser outra coisas senão luzes
e o vento soprando não poderia ser outra coisa senão sopro

Ding ding fazia minha bicicleta
e o milagre da vida estava ali
o calçamento esburacado,
a lisura das passagens suaves
a sensação boa deixada pelo filme “conversas com meu jardineiro” no cine Metrópolis
a pintura como a pesca de um peixe,
um processo de vida.
ninguém estava vivendo mais do que eu essa noite
nem eu mais do que ninguém
simplesmente a fruição desses lugares
e o abandono do que não preciso.

Ding ding.